segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Happy new year!

O Máquina Política deseja a todos os seus leitores um fantástico 2013!

domingo, 30 de dezembro de 2012

2012 em revista

Com a chegada do final de 2012, é altura de se fazer o tradicional balanço do ano que agora termina. Nos Estados Unidos, a agenda política foi marcada, como não podia deixar de ser, pelas eleições presidenciais. Contudo, nem só da corrida pela Casa Branca se fez a história do ano que agora termina.
Ainda assim, os primeiros meses de 2012 foram dedicados principalmente à campanha pela nomeação presidencial republicana. Mitt Romney, o grande favorito a vencer as primárias do GOP, enfrentou um leque de opositores que pode ser considerado relativamente fraco. Todavia, acossado pelos candidatos conservadores, especialmente Rick Santorum, Romney foi obrigado a fazer uma campanha acentuadamente à Direita, com destaque para a sua posição muito dura relativamente à imigração, e isso foi-lhe fatal quando, mais à frente, teve de enfrentar Obama na eleição geral.
Eventualmente, Mitt Romney acabou por selar a nomeação republicana. Para derrotar o Presidente, o antigo Governador do Massachusetts centrou a sua mensagem na economia, já que a recuperação económica norte-americana continuava a ser anémica. Apesar de situação da economia dos Estados não ser a melhor, a verdade é que o PIB do país manteve-se em subida (ainda que ligeira) e a taxa de desemprego desceu finalmente abaixo da barreira dos 8%. Além disso, os cidadãos americanos continuavam a ver George W. Bush como o principal culpado pelo estado da economia dos EUA, o que dava a Barack Obama algum espaço de manobra para gerir as suas próprias responsabilidades na matéria.
Outra questão que voltou a estar na ordem do dia neste último ano foi a reforma do sistema de saúde, a grande marca do primeiro mandato de Obama enquanto Presidente. Sempre debaixo de imensa polémica, esta fulcral peça legislativa esteve em risco de ser anulada por via judicial. Porém, o Supremo Tribunal, numa histórica decisão, considerou constitucional a reforma, conhecida como Obamacare. A discussão na mais alta instância judicial norte-americana foi intensa e chegou mesmo a pensar-se que o Supreme Court iria anular o Obamacare, mas, numa reviravolta surpreendente, o Chief Justice John Roberts, normalmente conservador, alinhou com os juízes liberais e permitiu a passagem da reforma da saúde, numa apertada votação de cinco votos favoráveis e quatro votos contra.
Com a chegada do Verão, começou em força a campanha pela Presidência. Barack Obama e Mitt Romney enfrentaram-se para decidir quem seria o Chefe de Estado norte-americano a partir de 20 de Janeiro de 2013. Foi, em grande parte, uma corrida mais renhida do que parece, agora que conhecemos os resultados finais. Barack Obama foi, uma vez mais, um candidato muito forte, tendo apenas falhado aquando do primeiro debate, e liderou a mais eficaz, competente e inovadora campanha da história das eleições norte-americanas. Foi capaz de convencer os norte-americanos de que era o melhor candidato para liderar o país durante mais quatro anos, ao mesmo tempo que minou a credibilidade e a imagem do seu opositor. Por sua vez, Romney, apesar de ter conseguido o que muitos consideravam impossível, ou seja, ameaçar a reeleição de Obama, cometeu demasiados erros e deixou-se caracterizar como um milionário desligado da realidade do cidadão americano comum. A 6 de Novembro, com um empurrão final proporcionado pelo furacão Sandy, Obama venceu de forma relativamente folgada a eleição e conquistou o direito a um segundo mandato na Casa Branca.
A vitória de Obama, assim como os péssimos resultados do partido nas eleições para o Congresso, levaram a uma pequena convulsão no seio do Partido Republicano. Muitas vozes, mesmo internamente, se levantaram para criticar as posições ortodoxas e rígidas do GOP relativamente à imigração, que prejudica  os republicanos de forma particularmente intensa junto do eleitorado hispânico, e a questões sociais, que tem afastado os jovens e as mulheres do voto em candidatos republicanos, como ficou bem evidente nas últimas eleições. Na verdade, a crescente influência da ala mais conservadora do partido tem trazido alguns dissabores ao GOP, especialmente em eleições primárias, já que, em alguns casos, o Partido Republicano tem nomeado políticos demasiadamente conservadores, com consequências desastrosas, nomeadamente para os resultados republicanos em eleições para o Senado. Em 2012, ficou claro que o Partido Republicano tem de repensar a sua estratégia e a sua plataforma política, de forma a manter-se competitivo nas urnas, especialmente em anos de eleições presidenciais.
2012 ficou também marcado, infelizmente, por mais uma série de incidentes com armas de fogo. O mais mediático, e também o mais mortífero, foi a tragédia de Newtown, no Connecticut, em que perderam a vida 27 pessoas, incluindo 20 crianças. Este massacre voltou a colocar em cima da mesa a questão do posse de armas nos Estados Unidos, com Barack Obama a clamar por um sério debate sobre esta matéria, de modo a que se possam evitar incidentes deste género no futuro. Desta vez, e ao contrário do que aconteceu em outras ocasiões, tudo indica que a discussão vai mesmo avançar e que o entendimento bipartidário que permita a criação de nova legislação que regule a compra e o porte de armas (pelo menos as de cariz militar) pode ser alcançado.
Por fim, a terminar o ano de 2012, é o fiscal cliff que tem dominado as atenções. Sem que os democratas e republicanos cheguem a um acordo, os Estados Unidos cairão, a 1 de Janeiro de 2013, num verdadeiro "precipício fiscal", com aumentos de impostos para todos os americanos e brutais cortes na despesa federal, com os previsíveis efeitos devastadores na economia do país. Até ao momento, e a poucas horas do deadline, não notícias de um entendimento entre os dois partidos e a situação é deveras preocupante. Resta, por isso, aguardar que um compromisso entre democratas e republicanos e entre a Casa Branca e o Congresso seja ainda possível e que o adeus a 2012 e as boas-vindas a 2013 possam ser comemorados de forma mais tranquila por todos os cidadãos dos Estados Unidos da América.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Merry Christmas!


O Máquina Política deseja a todos os seus leitores um feliz Natal!

sábado, 22 de dezembro de 2012

John Kerry sucederá a Hillary

Barack Obama anunciou formalmente que nomeará o Senador John Kerry para suceder a Hillary Clinton como Secretário de Estado norte-americano. Esta era a escolha anunciada, depois de Susan Rice, alegadamente a primeira escolha de Obama, ter saído da corrida para a liderança da diplomacia dos Estados Unidos, devido à polémica levantada pelo Partido Republicano relativamente à forma como Rice lidou com os acontecimentos em Benghazi.
Kerry, Senador pelo Massachusetts desde 1985, Presidente da Comissão de Relações Externas do Senado nos últimos quatro anos e candidato presidencial democrata em 2004, é uma opção segura e lógica por parte do Presidente dos Estados Unidos. Aliás, já em 2008, após a primeira vitória de Obama, John Kerry havia sido apontado como presumível Secretário de Estado. Todavia, na altura, e de forma surpreendentemente, a escolha acabou por recair em Hillary Clinton, a grande adversária de Obama nas eleições primárias desse ciclo eleitoral. 
Esta notícia é também positiva para os republicanos que, além de terem conseguido derrubar Susan Rice, têm ainda a oportunidade de recuperar um lugar no Senado. Isto porque com a saída de Kerry da câmara alta, terá de se realizar uma eleição especial para substituir o futuro Secretário de Estado. Ora, o principal favorito para suceder a Kerry é precisamente um republicano. Scott Brown, que perdeu o seu lugar no Senado nas últimas eleições para a democrata Elizabeth Warren, tem todas as possibilidades de recuperar o seu lugar numa eleição especial, com uma afluência às urnas muito inferior àquela que se observa quando as eleições para o Senado coincidem com as eleições presidenciais, como foi o caso de 2012. 
Assim, e dado que John Kerry é mais do que qualificado para o cargo de Secretário de Estado, tudo indica que a sua confirmação pelo Senado será rápida e pouco atribulada, dado que a sua nomeação para o Departamento de Estado agrada aos dois partidos e, claro está, ao próprio Kerry que tem, desta forma, a oportunidade de fechar com chave de ouro uma distinta carreira política.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Time's Person of the Year 2012: Barack Obama

Barack Obama foi escolhido pela revista Time como a Pessoa do Ano de 2012, tendo batido nomes Tim Cook, CEO da Apple ou Mohamed Morsi, Presidente do Egipto. O Presidente dos Estados Unidos já havia recebido igual honra em 2008, ano em que venceu pela primeira vez a corrida pela Casa Branca. Quatro anos depois, a conceituada revista norte-americana voltou a escolher Obama, principalmente devido à sua vitória eleitoral. Afinal, como explica a Time, apesar de ter concorrido à reeleição debaixo de condições adversas para um Presidente em exercício, Obama foi capaz de conquistar por duas vezes uma maioria absoluta do voto popular, feito que apenas quatro presidentes norte-americanos haviam alcançado.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Daniel Inouye (1924-2012)

Morreu Daniel Inouye, Senador democrata pelo Estado do Hawaii e que era o mais velho membro da câmara alta do Congresso dos Estados Unidos. 
Além de uma carreira política longa e bem sucedida (o seu percurso no Senado foi o segundo mais longo da história), Inouye tinha também uma fantástica histórica de vida. Descendente de japoneses, estava em Pearl Harbor no infame dia de 7 de Dezembro de 1941 como voluntário médico, tendo-se alistado no Exército dois anos mais tarde (quando os EUA passaram a admitir norte-americanos com raízes nipónicas). Já nos dias finais da guerra, Inoye perdeu um braço em combate, tendo sido condecorado com a Medal of Honor pela bravura demonstrada.
De regresso aos Estados Unidos depois da guerra, o ex-soldado inscreveu-se na universidade, onde tirou Ciência Política e Direito. Depois dos estudos, Inouye interessou-se pela política, tendo sido congressista e senador na legislatura do Hawaii. Entretanto, em 1959, o Havaii tornou-se um Estado de pleno direito dos Estados Unidos e Daniel Inouye concorreu e ganhou a disputa pelo primeiro lugar de congressista pelo Estado no Congresso norte-americano. Pouco depois, em 1962, foi eleito para o Senado, onde permaneceu até ontem, data da sua morte, tendo servido quase 60 anos na câmara alta. Desde 2010, como membro mais antigo da maioria, Inouye era também o President pro tempore do Senado, cargo que passará agora a ser ocupado pelo Senador Patrick Leahy.

sábado, 15 de dezembro de 2012

A tragédia americana

Os Estados Unidos foram, ontem, abalados por uma tragédia com contornos que, infelizmente, se vão tornando repetitivos em terras do Tio Sam. Numa escola do Estado do Connecticut, um jovem de 24 abriu fogo matando 26 pessoas (entre elas, 20 crianças e a própria mãe, professora na escola). Antes disso, o mesmo jovem tinha tirado a vida ao próprio irmão, noutro local. No final, suicidou-se, fazendo com que o saldo deste indescritível acto de terror se cifrasse em 28 vítimas mortais.
Sendo o segundo ataque com armas de fogo mais mortífero da história do país, a tragédia de ontem chocou os Estados Unidos e o mundo. Desta vez, e ao contrário do que aconteceu em acontecimentos semelhantes num passado recente, como o ataque à Congressista Gabrielle Giffords ou o tiroteio na estreia do filme Batman no Colorado, o debate sobre o uso de armas de fogo nos EUA pode estar novamente em cima da mesa. Ainda ontem, na sua reacção ao sucedido, Barack Obama deu indícios disso mesmo. 
Nos próximos tempos, veremos se o emocionado discurso do Presidente serve ou não de rastilho para uma das mais antigas e calorosas discussões nos Estados Unidos. É verdade que o porte de armas de fogo é, desde sempre, uma característica intrínseca de grande parte do povo norte-americano. Contudo, este tipo de incidentes (que não podem nunca ser explicadas apenas pela facilidade de acesso a armas de fogo) são cada vez mais frequentes e assumem-se já como uma espécie de tragédia americana.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Obama em alta

Depois da sua reeleição, faz hoje precisamente um mês, Barack Obama atravessa agora o tradicional período de lua de mel e isso reflecte-se nos números das sondagens, que indicam que a taxa de aprovação do trabalho do Presidente está nos valores mais altos desde 2009. Isso mesmo é perceptível no gráfico de cima, que demonstra sem margem para dúvidas o momento positivo que atravessa a Presidência de Obama, pelo menos aos olhos da maioria dos norte-americanos. Ainda assim, este fenómeno de subida nas sondagens após um triunfo eleitoral não é novidade (afinal, para um político melhorar a sua imagem não há melhor do que vencer uma eleição) e se Obama se quiser manter nas boas graças do público terá que somar vitórias políticas e evitar que a situação económica dos Estados Unidos se degrade. Seja como for,  numa altura em que a Casa Branca precisa da maior margem de manobra possível para as negociações do fiscal cliff com os republicanos, esta popularidade de Obama só vem ajudar os democratas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O precipício fiscal aproxima-se

O Máquina Política está de volta, após um curto interregno, em que não tive muito tempo para escrever, devido, particularmente, à preparação da defesa da minha tese de mestrado e a um consequente período de descanso, mas também para evitar uma overdose de política norte-americana provocada pela sobreposição das eleições presidenciais de 6 de Novembro e da conclusão minha tese sobre o sistema eleitoral dos Estados Unidos.
Com o país do Tio Sam ainda em ressaca pós-eleitoral e em período de holidays, a actividade política do outro lado do Atlântico não é muito substancial. Nos últimos dias, a sucessão de Hillary Clinton e o fiscal cliff têm sido os assuntos dominantes na agenda política norte-americana. Em relação ao primeiro tema, tudo indica que Barack Obama estará cada vez mais inclinado a escolher Susan Rice, actual Embaixadora dos Estados Unidos na ONU como a Secretária de Estado para o seu segundo mandato na Casa Branca. Apesar de várias críticas que Rice tem recebido devido à sua reacção aos atentados de Benghazi por parte do Partido Republicano, em especial de proeminentes senadores do GOP, como John McCain ou Lindsey Graham, o Presidente tem feito questão de repetidamente a elogiar e defender, o que dá a entender que Obama já escolheu a sua nova responsável pela diplomacia norte-americana.
No que diz respeito ao fiscal cliff, a incerteza é maior e aproxima-se o precipício fiscal que chegará com o final de 2012, quando expirarem os cortes fiscais da era Bush e entrarem em vigor grandes reduções nas despesas federais. Ora, sem um acordo entre os dois partidos que permita prolongar esses cortes de impostos e minimizar os cortes na despesa, a economia norte-americana corre sérios riscos de entrar em recessão, com todas as consequências que isso acarreta para milhões de pessoas.
Após a vitória democrata nas últimas eleições, o partido de Obama sente agora que tem maior legitimidade para fazer valer a sua vontade. Por isso, a posição dos democratas tem-se concentrado na extensão dos cortes fiscais, excepto para os cidadãos com maiores rendimentos e no corte em despesas militares. Contudo, o GOP, apesar de já ter dado alguns sinais de abertura, continua pouco disposto a fazer grandes cedências, nomeadamente no que diz respeito ao aumento de impostos. Há mesmo, no seio do Partido Republicano, quem fale em não ceder um milímetro para os democratas e deixar que se ultrapasse o fiscal cliff. Todavia, há vozes mais sensatas no GOP e que pretendem chegar a um acordo, até porque compreendem que seriam os republicanos os mais responsabilizados pelos cidadãos americanos no caso de uma ruptura nas negociações.
Assim sendo, o mês de Dezembro será dominado pelas negociações entre os dois partidos que terão de chegar a um acordo que evite o fiscal cliff, mas que não aumente de forma substancial a dívida externa norte-americana. Como se percebe, este é um frágil equilíbrio que não será facilmente alcançável, especialmente porque a actual polarização política nos Estados Unidos não favorece acordos bipartidários.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Happy Thanksgiving Day!

Comemora-se hoje o mais tradicional dos feriados norte-americanos, o Thanksgiving Day. Como não podia deixar de ser, o Máquina Política deseja a todos os seus leitores um feliz Thanksgiving!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Como Obama venceu: os erros de Romney

O resultado eleitoral do passado dia 6 representou uma vitória para Barack Obama, que teve muito mérito na sua reeleição, mas também uma derrota de Mitt Romney que tinha tudo para sair vencedor da corrida pela Casa Branca, ou não enfrentasse um Presidente algo fragilizado por uma economia que teima em não voltar à normalidade. Apesar de ter liderado uma campanha que foi globalmente positiva e competente, a verdade é que Romney cometeu alguns erros crassos e que contribuíram para a sua derrota final.
Logo nas primárias republicanas, o antigo Governador do Massachusetts terá falhado ao deixar-se encostar demasiado à Direita, ao ver-se acossado por adversários extremamente conservadores. As posições que assumiu na altura, nomeadamente nas questões do aborto e da imigração, iriam prejudicá-lo, mais tarde, na eleição geral, em grupos eleitorais fundamentais (nestes casos, as mulheres e os hispânicos, respectivamente). Além disso, Romney, que, durante um debate, chegou a dizer que foi um Governador do Massachusetts extremamente conservador, entregou de bandeja sounding bytes à campanha democrata, que aproveitou a deixa para caracterizar o nomeado republicano como um radical de Direita.
E é nessa sequência que surge um novo erro importante de Romney. Quando terminaram as primárias republicanas, no final da Primavera, a campanha de Obama tomou uma decisão invulgar, ao realizar uma espécie de ataque preventivo, lançando uma série de anúncios negativos que visavam "pintar" Romney aos olhos do eleitorado como um insensível capitalista, que fez fortuna e carreira, na Bain Capital, a destruir empresas e empregos americanos. Nessa altura, além de não responder efectivamente aos ataques da campanha democrata, Romney ainda atirou mais achas para a fogueira, tendo-se recusado a tornar públicos mais do que dois anos de declarações de impostos e ao tecer comentários que pareciam confirmar a tese democrata de que Romney estava alheado da realidade do cidadão comum, como quando afirmou que a sua esposa conduzia "um par de Cadillacs".
Mais tarde, já perto do auge da campanha nacional, Romney terá cometido, porventura, a sua maior gaffe durante a corrida. Num evento privado de angariação de fundos, o candidato republicano foi apanhado em vídeo a afirmar que os 47% dos norte-americanos que não pagavam impostos sobre os rendimentos nunca votariam em si, porque nunca nunca os conseguiria convencer a terem responsabilidade individual e a importarem-se com as suas vidas". Como seria de esperar, as críticas a estas declarações foram bastante duras para Romney, que, em consequência, se afundou nas sondagens. Foi um rude golpe para a sua campanha, que apenas conseguiu recuperar devido a uma grande vitória do nomeado republicano no primeiro debate presidencial.
Contudo, o principal erro de Romney foi a sua incapacidade em "conectar-se" com os eleitores. Não tendo o carisma nem os dotes oratórios de Barack Obama, Romney falhou em mostrar o seu lado emotivo, parecendo sempre muito mecânico e distante do cidadão comum. No fundo, concorreu mais como um tecnocrata do que como um estadista e isso foi-lhe fatal já que os norte-americanos, apesar de não estarem contentes com o primeiro mandato de Obama, preferiram dar uma nova oportunidade ao candidato que, há quatro anos, os fez sonhar com ideais de mudança e esperança.

sábado, 17 de novembro de 2012

O percurso até aos 270

Da autoria da The Economist, este vídeo apresenta-nos, resumidamente, a evolução do mapa eleitoral durante a campanha presidencial até à vitória final de Barack Obama. Em menos de dois minutos, cobre o que de mais importante se passou na disputa entre Obama e Romney e é ideal para os mais atarefados e que gostam de informação condensada e directa.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quem será o próximo Secretário de Estado?

Há já muito tempo que Hillary Clinton afirmou que, caso Barack Obama fosse eleito para um segundo mandato, não quereria ser reconduzida como Secretária de Estado. Ao que tudo indica, a antiga Primeira-Dama não mudou de ideias e, por isso, o Presidente norte-americano estará à procura de um novo líder para a diplomacia dos Estados Unidos.
No topo da shortlist de candidatos ao lugar estará provavelmente John Kerry. Já em 2008, Kerry havia sido dado como certo na chefia do Departamento de Estado, mas, no último momento, Obama preferiu a sua rival das primárias, Hillary Clinton. Desta vez, o Senador pelo Massachusetts e candidato presidencial em 2004 volta a partir na frente da disputa por um dos lugares mais desejados em Washington. Contudo, as hipóteses de Kerry podem ser prejudicadas pelo facto de a sua escolha ter como efeito colateral a abertura de uma vaga no Senado e, consequentemente, a marcação de uma eleição especial, que podia muito bem ser aproveitada pelo republicano Scott Brown (que falhou, há dias, a sua reeleição, tendo sido derrotado por Elizabeth Warren) para voltar à câmara alta.
Se a escolha não recair no Senador John Kerry, então é bem possível que seja a actual Embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Susan Rice, a conseguir o cargo. Rice, uma veterana da administração Clinton é uma das preferidas de Obama a sua experiência nas relações internacionais pode valer-lhe o Departamento de Estado. Todavia, seria uma opção mais polémica por parte do Presidente, já que Susan Rice tem estado debaixo de fogo nos últimos tempos, tendo sido muito criticada no rescaldo do incidente na Líbia, de que resultou a morte de quatro americanos, incluindo o Embaixador Christopher Stevens. 
Outra escolha segura e pouco surpreendente para o lugar seria a nomeação de Tom Donilon, actual National Security Advisor de Obama. Esta seria uma opção considerada tradicional, já que é comum que os principais conselheiros de Segurança Nacional do Presidente sejam promovidos ao posto de Secretário de Estado. No passado mais recente, tivemos, por exemplo, os casos de Henry Kissinger e de Condoleeza Rice.
Contudo, se Obama quiser surpreender, pode optar por escolher um republicano para o cargo. Dessa forma, estaria a dar um sinal evidente e concreto de que deseja, no seu segundo mandato, alcançar uma relativa paz política com a oposição, patrocinando o bipartidarismo que apregoou durante a sua primeira campanha eleitoral. Se seguir este caminho, nomes como Jon Huntsman e Richard Lugar deverão estar em cima da mesa. Huntsman, antigo Govenador do Utah e candidato presidencial em 2012, já serviu na actual Administração como Embaixador na China e poderia estar disposto a trabalhar sob as ordens de Obama, o que até poderia ser uma boa forma de preparar terrenos para uma eventual nova corrida até à Casa Branca. Já o Senador Lugar, que este ano perdeu o seu lugar no Senado, derrotado nas primárias republicanas por um candidato ultra conservador que contou com o apoio do Tea Party, conquistou a amizade de Obama quanto estiveram juntos no Congresso e, como Presidente da Comissão de Relações Externas do Senado, tem as credenciais certas para o lugar (passe o trocadilho).
Estes são alguns dos nomes que têm sido falados para suceder a Hilary Clinton no Departamento de Estado norte-americano. Não obstante, é sempre possível que Obama surpreenda e escolha alguém que não foi aqui referido. Seja como for, não deverá demorar muito a saber-se quem é o nomeado do Presidente que terá ainda de ser confirmado no Senado. Por isso, o melhor é mesmo aguardarmos pela decisão do Presidente.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Como Obama venceu - a demografia

Quando foi eleito Presidente pela primeira vez, em 2008, Barack Obama teve uma excelente votação em praticamente todos os escalões do eleitorado, fossem eles relativos ao sexo, à idade, à raça ou mesmo ao nível económico. Ainda assim, a coligação de Obama baseou-se sobretudo em grupos eleitorais chave: os negros, os hispânicos, os jovens, as mulheres solteiras e os eleitores urbanos. Dessa forma, e apesar de ter perdido entre o voto branco, Obama conseguiu o melhor resultado no voto popular das últimas décadas para um candidato democrata, alcançando 53% dos votos.
Quatro anos depois, para as eleições de 2012, era expectável que Obama não conseguisse uma vitória tão expressiva como a que tinha obtido frente a John McCain. Após o seu primeiro mandato na Casa Branca, Obama tinha perdido apoio entre alguns grupos do eleitorado, em especial os eleitores brancos de zonas rurais, onde o domínio republicano é cada vez mais notório. Assim, para vencer, Obama teria de segurar ou mesmo aumentar a sua votação entre a base da sua coligação. Contudo, isso poderia não chegar, pois era preciso ainda garantir que esses eleitores se deslocariam às urnas para depositar o seu boletim de voto a favor do candidato democrata. De facto, a campanha republicana (e muitos analistas conservadores) esperavam que a participação eleitoral dos afro-americanos, dos latinos e dos jovens não fosse tão significativa como em 2008, ou que, segundo algumas previsões ainda mais optimistas, fosse mais semelhante à da eleição de 2004.
Contudo, como hoje sabemos, estas previsões saíram furadas. Os afro-americanos mantiveram a sua afluência às urnas (constituíram 13% do eleitorado), enquanto que a participação dos jovens e dos hispânicos aumentou (19% e 10% dos eleitores, respectivamente). Além disso, Obama conseguiu um melhor resultado entre o eleitorado hispânico do que aquele que tinha obtido há quatro anos, já que 71% dos eleitores latinos votaram pela reeleição do Presidente. Importa ainda apontar que, entre os eleitores de origem asiática, uma minoria também com tendência para crescer, também foi Obama a vencer a maioria dos votos (73%). Assim sendo, no total de todos os votos depositados a favor de Obama, 45% foram provenientes de eleitores de minorias étnicas, o que é bem elucidativo da importância destes eleitores para a reeleição do 44º Presidente dos Estados Unidos. Finalmente, se juntarmos a estes números, o apoio de 55% das mulheres a Obama (e as mulheres representam 53% do eleitorado), percebe-se que muito dificilmente a vitória poderia ter escapado ao actual ocupante da casa Branca.
Por tudo isto, fica claro que a demografia teve um papel fundamental na reeleição de Obama. Com maiorias claras nos grupos eleitorais em maior crescimento nos Estados Unidos, o Presidente compensou as perdas entre os eleitores brancos. Fica também evidente o problema demográfico do Partido Republicano que, se quiser continuar a ser competitivo em eleições presidenciais, tem obrigatoriamente de alargar a sua base de apoio. Se persistirem os maus resultados do GOP entre os jovens, as mulheres e, principalmente, os hispânicos, os republicanos arriscam-se a somar derrotas em corridas pela Casa Branca.

sábado, 10 de novembro de 2012

Petraeus deixa a CIA por causa de adultério

De modo inesperado, David Petraeus demitiu-se do cargo de Director da Central Intelligence Agency (CIA), posto que ocupava há cerca de um ano, por nomeação presidencial. Na origem desta decisão esteve  um caso extra-conjugal que o general vinha mantendo com a autora da sua biografia, o que representa, segundo Petraeus, um comportamento inaceitável para um marido e para o líder da principal agência de espionagem norte-americana. Barack Obama aceitou a demissão do general que ficou famoso por ter sido o mentor e principal executante da estratégia de surge que foi um sucesso no Iraque e o FBI está já a investigar as eventuais falhas de segurança que possam ter sido causadas por este caso - Petraeus poderia ter sido alvo de chantagem e, ao que consta, a amante do general terá tido acesso a informação confidencial.
Nos últimos anos, muito se falou do potencial político de David Petraeus (chegou mesmo a ser considerado como um possível candidato presidencial em 2012). Contudo, depois deste escândalo sexual - o género mais suculento para a comunicação social - a sua carreira militar chega ao fim e as suas eventuais esperanças políticas saem prejudicadas. É verdade que, actualmente, já nem nos Estados Unidos é impossível para um político adúltero ou divorciado concorrer a um cargo público (veja-se, por exemplo, o exemplo de Newt Gringrich), mas este caso vem manchar, e muito, a imagem pública do mais proeminente militar norte-americano dos últimos anos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Como Obama venceu - a campanha

A campanha presidencial de 2012 foi longa e animada, e, no final, o vencedor foi Barack Obama, que foi eleito para um segundo mandato de quatro anos na Casa Branca. Agora, quando o grosso da poeira da noite eleitoral já assentou, é altura de fazer um breve balanço desta louca corrida e identificar as principais razões que levaram à vitória de Obama. O primeiro post de uma curta série, onde apresentarei as principais questões que estiveram na origem do triunfo do candidato democrata é dedicado à competente e eficaz campanha de Barack Obama.
Apesar de todas as dificuldades que pareciam complicar a reeleição do Presidente, como a alta taxa de desemprego ou a baixa taxa de aprovação do trabalho de Obama, a campanha liderada por David Axelrod, David Plouffe e Jim Messina foi extremamente eficaz a definir a sua mensagem e a obrigar a campanha de Romney a jogar segundo as suas regras.
A decisão de um ataque preventivo a Mitt Romney, logo no final das primárias republicanas, foi decisiva. Ao contrário do que é normal, a campanha democrata optou por muito cedo realizar uma grande barragem de ataques negativos, que conseguiu com sucesso caracterizar Romney como um milionário desligado da realidade do cidadão comum e que fez carreira (e fortuna) a destruir empregos nos Estados Unidos. O candidato republicano, que não contava e não estava preparado para um raid desta natureza quando acabava de sair de umas primárias desgastantes,  nunca conseguiu desses ataques.
A campanha democrata também foi capaz a convencer a maioria dos eleitores norte-americanos de que o Presidente encontrou a economia norte-americana num péssimo estado, após oito anos de George W. Bush e que um mandato não era suficiente para Obama ser capaz de "limpar a casa". A eficácia desta táctica fica comprovada pelo facto de 53% dos eleitores americanos considerar que Bush é o principal culpado pelo estado da economia e só 38% culparem principalmente Obama.
Outro aspecto importante da campanha de Obama foi o facto de nunca entrar em pânico, mesmo depois da desastrosa prestação do seu candidato no primeiro debate. Nessa ocasião, muitos foram os liberais que sobre-reagiram a essa derrota de Obama e clamaram pelo soar dos alarmes em Chicago. Contudo, a campanha do Presidente manteve-se serena conseguiu, pouco a pouco, fazer uma eficiente gestão dos danos causados pelo primeiro debate.
Finalmente, o ground game democrata foi o claro vencedor nestas eleições. À imagem do que sucedeu em 2008, o voto antecipado foi uma forte aposta da campanha de Obama que amealhou uma vantagem em votos depositados com antecedência, da qual os republicanos foram incapazes de recuperar. Houve quem pensasse que os democratas encaravam estas eleições com menor entusiasmos do que as de há quatro anos e que isso levaria a uma menor participação eleitoral de grupos que apoiam maioritariamente o Presidente. Todavia, essas previsões provaram-se totalmente erradas e a campanha democrata foi essencial ao mobilizar os seus eleitores e a levá-los às urnas. Também por isso, os os afro-americanos votaram em números idênticos aos de 2008, enquanto que, entre os hispânicos e os jovens, a participação foi ainda superior em relação à primeira eleição de Obama.
Estes são apenas as principais capacidades demonstradas pela campanha presidencial de Barack Obama, que provou, uma vez mais, que é a melhor e maior organização política e eleitoral da história dos Estados Unidos, batendo a estrutura do Partido Republicano que, durante os anos Bush, parecia imbatível. Não admira por isso, que Barack Obama se tenha emocionado a agradecer a alguns dos seus fiéis apoiantes e voluntários. Afinal, a sua vitória também se deve, e muito, a eles.

Cartoons: Election Night 2012


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Colóquio sobre as eleições norte-americanas UFP

Amanhã, pelas 18 horas, estarei, no Salão Nobre da Universidade Fernando Pessoa, para fazer o rescaldo das eleições presidenciais norte-americanas, num colóquio que contará ainda com a presença do Prof. Doutor Rui Miguel Ribeiro e do Germano Almeida, do blogue Casa Branca 2012. A moderação estará a cargo da Prof. Dr.ª Isabel Costa Leite.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Último combate de blogues sobre as eleições de 2012

Como tudo é que é bom acaba depressa, chegou ao fim a série de Combate de Blogues, em versão hangout, em que tive o prazer de participar, juntamente com o Nuno Gouveia e o José Gomes André, do Era Uma Vez na América, e o Filipe Ferreira e o Carlos Manuel Castro, do EUA2012. Na emissão final, a conversa foi entre mim, o Nuno Gouveia e o Carlos Manuel Castro, com o Filipe Caetano a moderar de forma competente, como é seu apanágio. Apesar de eu ter chamado casa de banho à Casa Branca, a discussão que serviu de rescaldo à noite eleitoral foi interessante e produtiva. Daqui a quatro anos há mais!

Os derrotados da noite

Mitt Romney - O candidato republicano realizou uma boa campanha, conseguindo manter-se na disputa pela Casa Branca até ao último minuto, um feito que não é de menor importância. Contudo, a verdade é que a vitória frente a um Presidente fragilizado estava perfeitamente ao alcance de Romney. O seu posicionamento demasiado à Direita durante as primárias republicanas, assim como algumas falhas do próprio candidato (como o comentário dos 47%) explicam em alguma medida a derrota do GOP nestas eleições presidenciais. Em abono da verdade, Mitt Romney nunca conseguiu entusiasmar os republicanos e, entre dois "diabos", os cidadãos dos Estados Unidos preferiram ficar com "diabo" que já conheciam.

GOP - Afinal, os resultados das intercalares foram mais um acidente de percurso do que um sinal da recuperação da "marca" republicana. À imagem do que sucedeu nas eleições de 2006 e 2008, os republicanos tiveram em 2012 mais um terrível ciclo eleitoral, perdendo a Casa Branca e dois lugares no Senado, quando se esperava que pudessem recuperar o controlo da câmara alta do Congresso. O Partido Republicano continua a não resolver o problema demográfico com que se defronta de forma cada vez mais premente (em 2012, os republicanos tiveram o seu pior resultado de sempre junto dos hispânicos, o grupo eleitoral com maior taxa de crescimento no país) e necessita urgentemente de rever a sua plataforma política se quiser manter-se competitivo a nível nacional. Para já, ganhar 60% dos eleitores brancos ainda vai dando para vencer algumas corridas, mas a sangria republicana junto das minorias e das mulheres é totalmente insustentável para o futuro do partido.

Tea Party - O movimento conservador que fez furor na linha da frente da oposição a Obama já quase que desapareceu do mapa e, hoje, é praticamente irrelevante. Depois das eleições de 2010, em que contribuiu decisivamente para a nomeação de candidatos republicanos inelegíveis, o que ajudou os democratas a manter o controlo do Senado, o Tea Party voltou a ser prejudicial para o GOP. Desta vez, a influência deste movimento junto das bases republicanas levou a que as primárias presidenciais do partido fossem muito balançadas à Direita, o que prejudicou Mitt Romney na campanha nacional. Contudo, parece que o Partido Republicano já se deu conta dos malefícios do Tea Party, que não foi, nem por uma vez, mencionado na Convenção Nacional do Partido. Ao que tudo indica, este movimento vai desaparecer tão rapidamente quanto apareceu.

Gallup e Rasmussen - A Gallup é a mais famosa e histórica das empresas de sondagens no Estados Unidos. Contudo, este ano, os seus estudos foram totalmente desmentidos pelos resultados finais. A cerca de duas semanas da eleição, a Gallup chegou a dar sete pontos percentuais de avanço a Romney e, na véspera da eleição, a sua tracking poll mostrava ainda o republicano na frente da corrida. Já em 2010, os dados da Gallup foram desmentidos pelos resultados, mas as eleições para o Congresso são sempre mais difíceis de sondar, pelo que o erro quase que passou despercebido. Desta vez, porém, a Gallup não escapará ao chorrilho de críticas que se avizinha. O caso da Rasmussen é ligeiramente diferente, já que é conhecida os laços conservadores do seu dono, Scott Rasmussen. Contudo, em 2008 a Rasmussen foi das empresas mais certeiras e ganhou crédito junto dos analistas. Em 2010, os seus números mostravam já um bias republicano, mas, este ano, a credibilidade da Rasmussen deve sofrer um grande abalo. Além da sua tracking poll ter falhado na mesma medida que a da Gallup, as suas sondagens estaduais, que mostravam resultados muito favoráveis a Romney, também falharam rotundamente. 

Pundits Conservadores - Depois de a Fox News atribuir a vitória a Obama, Karl Rove (o principal estratega político de George W. Bush) irritou-se, em directo, e contestou a decisão da cadeia noticiosa conservadora, afirmando que a corrida ainda não estava decidida. Esta rábula ilustrou bem o choque que os principais comentadores conservadores sentiram enquanto assistiam ao escrutínio eleitoral. Depois de várias semanas a darem como certa a vitória de Romney e a desprezarem as sondagens, que, segundo eles, estavam totalmente distorcidas (skwed), os conservative pundits não estavam preparados para uma derrota republicana desta magnitude. Ao induzirem em erro os seus ouvintes conservadores, os comentadores conservadores prestaram um mau serviço a quem neles confiou para se manter informado e contribuíram para a vitória democrata.

Os vencedores da noite

Barack Obama - Não há volta a dar: o Presidente foi o grande vencedor da noite. Depois de uma campanha longa e disputada, Obama alcançou nas urnas o direito a um segundo mandato, garantindo que não fica para a história como um Presidente de um só mandato, deixando a Casa Branca da pior forma, depois de ter prometido mudar a América e o mundo. Agora, terá mais quatro anos para construir um legado, mas é certo que Obama deixará um marco importante na história dos Estados Unidos.

David Axelrod, David Plouffe e Jim Messina - Os três principais estrategas de Obama conseguiram a derradeira vitória eleitoral, num cenário bastante complicado para o presidente em exercício. A arriscada estratégia que escolheram, que consistiu numa espécie de ataque preventivo ao nomeado republicano, caracterizando-o como um milionário desligado da realidade do cidadão comum, provou ser uma aposta acertada e permitiu a Obama ganhar vantagem ainda cedo na corrida. Além disso, previram correctamente a composição do eleitorado, o que lhes permitiu terem uma melhor visão do mapa eleitoral. Finalmente, o seu ground game foi, mais uma vez, impecável e os democratas deslocaram-se às urnas em grande número, também devido à excelente estrutura do partido.

Liberais - Se 2010 foi o ano dos conservadores, então 2012 foi o ano dos liberais. Além da vitória na corrida à Casa Branca, os democratas tiveram uma noite fantástica nas eleições para o Senado, vencendo 21 das 28 corridas em disputa, conseguindo, assim, aumentar, surpreendentemente, a sua maioria na câmara alta em dois assentos (contam, agora, com 55 senadores). Mais: um pouco por todo o país, foram referendadas algumas questões sensíveis e os resultados foram vitoriosos para o movimento liberal: o casamento gay foi aprovado em quatro Estados (até ontem, nunca um Estado norte-americano havia aprovado, por referendo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo), três Estados legalizaram a marijuana e, na Florida, foi repelida uma proposta que eliminaria algumas provisões do Obamacare.

John Boehner - No meio do descalabro republicano, salvou-se a maioria do GOP na Câmara dos Representantes, ainda que os democratas tenham ganho, ao que tudo indica, uma meia dúzia de lugares aos republicanos. A partir de hoje, o Speaker  John Boehner passa a ser o líder de facto do seu partido e terá de retirar as ilações devidas da dura derrota eleitoral sofrida, ontem, pelo movimento conservador americano. Provavelmente, terá menor espaço de manobra para evitar cooperar com os democratas da Casa Branca e do Congresso.

Sondagens (não todas) e modelos de previsão - Mais uma vez, ficou provado que a melhor forma de  prever o resultado numa eleição presidencial norte-americana são as médias das sondagens estaduais. Desta forma, o Pollster, o Real Clear Politics e o FiveThirty Eight previram correctamente o desfecho da eleição. Em especial, Nate Silver foi o analista mais certeiro e o seu modelo previu correctamente o resultado nos 50 Estados da União. Todavia, estes modelos apenas são possíveis porque existem centenas de sondagens estaduais e que foram, grosso modo, certeiras. As sondagens nacionais também estiveram à altura, com duas excepções proeminentes. Mas essas excepções ficarão para a análise dos derrotados da noite.

Discurso de vitória de Obama

Como é da praxe, Barack Obama esperou pelo final do discurso de concessão de Romney para subir ao pódio e dirigir-se aos cidadãos norte-americanos. O discurso de vitória do Presidente recordou mais o vibrante e sonhador Obama de há quatro anos do que o pragmático candidato desta eleição. Mais uma vez, apelou à unidade nacional e uma das maiores curiosidades para o seu segundo mandato é saber se o Presidente é capaz, ao contrário do que sucedeu nos últimos quatro anos, de esbater a brutal polarização política que se vive actualmente nos Estados Unidos. Mas, para já, o momento é mesmo de festa e de descanso para o 44º Presidente norte-americano.

Romney concede derrota

Mitt Romney demorou muito tempo a conceder a derrota - quando as cadeias noticiosas declararam Barack Obama vencedor, a campanha republicana entrou em modo de blackout - mas acabou, inevitavelmente, por volta da uma da manhã (Eastern Time), por o fazer. No seu discurso de concessão de derrota, Romney congratulou Obama pela vitória e elogiou, como é costume, a sua esposa, Ann, e o seu running mate, Paul Ryan. Foi uma comunicação curta, mas em que se percebeu a devastação do candidato republicano que, aparentemente, não contava mesmo sair derrotado.

That's all, folks!

Foi um longo dia, ainda que a madrugada não tenha sido tão comprida como se chegou a pensar. No final de contas, Barack Obama conquistou o direito a um segundo mandato e o Partido Republicano teve uma noite francamente negativa e que muito dará que falar nos próximos tempos. Para terminar, fica o estado actual do mapa eleitoral, ainda com alguns Estados por apurar definitivamente (deverão todos cair para o lado de Obama), mas já com um vencedor encontrado. Por hoje, o Máquina Política encerra as suas portas, para um merecido descanso. Resta-me agradecer a companhia a todos que, durante as últimas horas (e foram muitos) passaram por aqui e enviar uma mensagem especial ao grande vencedor da noite: congratulations, Mr. President!

Vitória para Barack Obama

Não restam grandes dúvidas. Obama ganhou todos os battleground states que já foram projectados e entre os que se encontram em discussão apenas está atrás na North Carolina (e por muito pouco). A qualquer momento, poderá ser declarado vencedor na Virginia ou na Florida, o que, a acontecer, significará o ponto final na questão. 
Afinal, tudo indica que o Presidente terá uma vitória relativamente folgada no Colégio Eleitoral. Faltará saber qual a distribuição do voto popular, ainda que seja previsível que Obama derrote Mitt Romney por um ou dois pontos percentuais. Com estes resultados, evita-se o cenário que poderia ser despoletado com uma corrida disputada ao milímetro, que envolveria recontagens, exércitos de advogados e tensão social. 
Deixarei análises mais aprofundados para os próximos dias, mas, pelo que os números têm mostrado, Obama manteve praticamente intacta a coligação que o elegeu em 2008. Os afro-americanos, os hispânicos  as mulheres, as jovens e o eleitorado urbano voltaram a apoiá-lo de forma maioritária. Além disso, a comparência às urnas não diminuiu em relação às eleições anteriores. Na verdade, e segundo as exit polls, a percentagem dos eleitores brancos no universo do eleitorado voltou a diminuir, à imagem do que tem sucedido nas últimas décadas.
Mas não foi apenas Obama a vencer esta noite. A noite positiva para os democratas foi completada com um excelente desempenho dos seus candidatos ao Senado, o que lhes permite manter o controlo da câmara baixa do Congresso num ano que se previa muito complicado para os senadores democratas. Para os republicanos, a manutenção da maioria na Câmara dos Representantes não deverá servir de grande consolo e é de esperar que a noite de hoje tenha grandes repercussões no futuro do partido conservador. 

Algumas notas sobre a noite eleitoral

1) A eleição está bastante equilibrada nos principais battleground states. Contudo, as corridas na Florida, na Virginia e na North Carolina estão virtualmente empatadas e Barack Obama apenas tem de ganhar em um desses Estados para, praticamente, poder cantar vitória. Para já, a noite está a ser bem mais positiva para o actual Presidente do que para o seu adversário.

2) Até ao momento, as exit polls e os primeiros resultados vieram confirmar os dados das sondagens que foram divulgadas nas últimas semanas, pelo que não se confirmam as críticas republicanas que contestavam as amostras das sondagens que mostravam os eleitores democratas em maior número do que os republicanos.

3) Nas eleições do Congresso, também não há surpresas. Como era previsto, a Câmara dos Representantes continuará nas mãos do GOP e o Senado continuará a ter uma maioria democrata.

4) A confirmar-se estes três cenários, nada mudará no panorama político dos Estados Unidos: Obama continuará na Casa Branca, John Boehner manter-se-á como Speaker e Harry Reid permanecerá como líder da maioria no Senado. Ou seja, após a mais dispendiosa campanha eleitoral da história da Humanidade (só na campanha presidencial foram gastos mais de dois mil milhões de dólares) tudo terá ficado exactamente na mesma.

Colégio Eleitoral (em actualização)

Barack Obama - 303 votos eleitorais (Vermont, Connecticut, Delaware, Washington, D.C., Illinois, Maryland, Massachusetts, Maine, Rhode Island, New Jersey, New York, Michigan, Pennsylvania, Wisconsin, New Hampshire, New Mexico, Minnesota, California, Havaii, Washington, Nevada, Oregon, Ohio, Iowa, Nevada, Colorado, Virginia)

Mitt Romney - 206 votos eleitorais (Kentucky, Indiana, South Carolina, West Virginia, Oklahoma, Georgia, Arkansas, Tennessee, Louisiana, Alabama, Mississippi, Kansas, Texas, Nebraska, South Dakota, North Dakota, Wyoming, Utah, Montana, Arizona, Idaho, North Carolina, Missouri, Alaska)

Nota: São necessários 270 votos eleitorais para se ser eleito Presidente dos Estados Unidos.

Primeiras projecções

Após o fechar das urnas nos primeiros seis Estados, a CNN apenas declarou o vencedor em dois Estados: Obama no Vermont e Romney no Kentucky. Nos restantes, a cadeia televisiva absteve-se de apresentar uma projecção logo à partida, ainda que as exit polls no Indiana apontem um triunfo relativamente folgado para Mitt Romney. Em relação ao Estado mais importante desta "ronda", a Virginia, a situação é a esperada: um empate total.
Meia hora depois, as urnas fecharam na North Carolina, no Ohio e na West Virginia. Naturalmente, apenas a West Virginia foi já declarada a favor de Mitt Romney. Na North Carolina, as sondagens à boca da urna indicam um empate, enquanto que no Ohio Obama parece levar vantagem. A confirmarem-se estes dados, e com a Florida a parecer ao alcance do Presidente, Mitt Romney estará em muitos maus lençóis.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

CNN projecta os resultados no Empire State Building

A CNN está, como sempre, a realizar uma emissão especial para acompanhar as eleições norte-americanas. Só que desta vez tem uma novidade: o topo do Empire State Buiding, em Nova Iorque, será utilizado para apresentar a contagem dos votos do Colégio Eleitoral. No final, se o vencedor for Obama, o edifício ficará iluminado de azul, enquanto que o vermelho será a cor dominante, caso seja Romney a ganhar a eleição. Só nos Estados Unidos da América...

Primeiros rumores

Começam a circular pelos bastidores os primeiros rumores sobre as sondagens à boca das urnas, que apenas podem ser divulgadas quando fecharem as votações nos respectivos Estados. Pelo que tenho lido e ouvido, Barack Obama parece bem colocado para ser reeleito, já que estes dados informais e provisórias trazem boas notícias para os democratas em Estados como o Nevada, o Iowa, o Wisconsin, o New Hampshire e, principalmente, o Ohio. Contudo, chamo a atenção para o facto de estas exit polls terem de ser lidas com muito cuidado, por serem muito pouco fiáveis. Basta lembrar que, em 2000 e 2004, estiveram completamente erradas e, em 2008, davam empates em Estados tão mirabolantes como o Tennessee e a Carolina do Sul. O melhor é mesmo esperar pelos resultados oficiais.

Closing arguments: Romney

Num forcing de última hora para colocar em jogo a Pennsylvania e os seus 20 votos eleitorais, a campanha de Mitt Romney tem concentrado os seus esforços neste Estado que pode permitir ao candidato republicano um caminho alternativo rumo aos 270 votos eleitorais necessários para alcançar a Casa Branca. Ontem, Romney esteve na localidade de Morrisville (no vídeo) e, hoje, aproveitará todos os segundos do dia eleitoral para tentar angariar novos votos, com visitas ao decisivo Ohio e, novamente, à Pennsylvania, onde estará na cidade de Piitsburgh. Depois disso, voará para Boston, onde está sediada a sua campanha e será a partir da capital do Masshusetts que acompanhará os resultados e reagirá ao veredicto eleitoral.

As primeiras polémicas

Em eleições norte-americanas há sempre alegações, de um lado e do outro, de irregularidades nas votações, sejam elas causadas por dificuldades no acesso ao voto, por boletins mal preenchidos ou por problemas electrónicos nas máquinas de voto. Este ano não podia ser diferente e começam já a surgir os primeiros relatos polémicos. Este exemplo é o de uma máquina de voto, no Estado da Pennsylvnia, que alterava um voto em Obama para um voto em Romney. Para bem do processo eleitoral, esperemos que não se repitam muitos casos como este.

Closing arguments: Obama

Barack Obama encerrou, ontem, a sua campanha presidencial, naquele que terá sido a última acção de campanha a seu favor da sua vida política. Simbolicamente, o Estado escolhido foi o Iowa, onde Obama, há quase cinco anos atrás, começou a sua improvável caminhada até à Casa Branca, batendo, surpreendentemente, Hillary Clinton e John Edwards nas primárias democratas. Terminada a sua participação no trilho da campanha, Barack Obama partiu para Chicago, onde seguirá o desenrolar dos acontecimentos e fará o seu discurso de vitória ou de derrota, dependendo do que for decidido pelos eleitores norte-americanos.

Biden afirma que esta não será a sua última eleição

Ainda não sabemos quem é o vencedor em 2012 e já se fala das eleições de 2016. Hoje, depois de votar, Joe Biden voltou a dar a entender que será candidato à Casa Branca, daqui a quatro anos (terá 74 anos), ao afirmar que esta não foi a última vez que votou a si próprio. Pode ser verdade (de Biden tudo se espera), ou pode ser apenas uma forma de não perder margem negocial durante um eventual segundo mandato como Vice-Presidente. Seja como for, esta é uma dúvida que só será esclarecida daqui a alguns anos.

Horário de fechos das urnas

Devido à diferença horária entre Portugal e os Estados Unidos, quem quiser seguir a evolução dos resultados das eleições de hoje terá de fazer uma noitada que se prolongará pela madrugada e manhã do dia 7. Contudo, serão certamente muitos os portugueses a acompanhar atentamente os acontecimentos. Assim, e de forma a ajudar estes political junkies que, como eu, ficarão acordados até muito tarde, deixo aqui o horário de fecho, segundo a hora de Lisboa, das urnas em cada Estado (a bold, os principais battleground states que deverão decidir o vencedor da eleição):

24:00: Georgia, Indiana, Kentucky, South Carolina, Vermont e Virginia

00:30: North Carolina, Ohio, West Virginia

01:00: Alabama, Connecticut, Delaware, Washington D.C., Florida, Illinois, Maine, Maryland, Massachusetts. Mississipi, Missouri, New Hampshire, New Jersey, Oklahoma, Pennsylvania, Rhode Island, Tennessee

01:30: Arkansas

02:00: Arizona, Colorado, Kansas, Louisiana, Michigan, Minnesota, Nebraska, New Mexico, New York, North Dakota, South Dakota, Texas, Wisconsin, Wyoming

03:00: Iowa, Montana, Nevada, Utah

04:00: California, Hawaii, Idaho, Oregon, Washington

06:00: Alaska

Apanhado de projecções

Depois da minha projecção, feita ontem, vale a pena fazer um apanhado de previsões das mais variadas fontes, entre especialistas, jornalistas ou entusiastas das eleições presidenciais americanas. Como se pode ver, há previsões para todos os gostos.

Nate Silver (FiveThirtyEight): Obama 303 - Romney 235

Larry Sabato (UVA Center for Politics): Obama 290 - Romney 248

Ezra Klein (Washinton Post): Obama 290 - Romney 248

Josh Putnam (Davidson College): Obama 332 - Romney 206

Filipe Ferreira (EUA2012): Obama 286 - Romney 252

José Gomes André (Era Uma Vez na América): Obama 294 - Romney 244

Michael Barone (The Examiner): Romney 315 - Obama 223

Karl Rove: Romney 285 - Obama 253

Dick Morris (FoxNews): Romney 325 - Obama 213

Election Day!

Chegou, finalmente, o grande dia. Durante o dia de hoje, os eleitores norte-americanos (que não votaram antecipadamente) deslocam-se às urnas para escolher o Presidente dos Estados Unidos para os próximos quatro anos. Barack Obama, do Partido Democrata, e Mitt Romney, do Partido Republicano são as suas opções, além de vários outros candidatos praticamente irrelevantes, como Gary Johnson, candidato pelo Partido Libertário.
Nos Estados Unidos, a campanha decorre até ao último minuto e, por isso, as campanhas realizam os últimos esforços, mesmo no último dia, tentando amealhar todo e qualquer voto que ainda esteja indeciso. Mitt Romney nem sequer desperdiça o dia de hoje e estará em comícios eleitorais nos importantes Estados do Ohio e da Pennsylvania. Por sua vez, Barack Obama passou a noite no Iowa e é daí que partirá para Chicago, onde seguirá o desenrolar dos acontecimentos.
Chega, assim, ao fim uma longa e muito disputada campanha eleitoral, que foi também a mais dispendiosa da história mundial, tendo cada candidato presidencial gasto, nada mais nada menos, do que mil milhões de dolares com a sua campanha pela Casa Branca. Nove meses depois dos caucus do Iowa, teremos finalmente um vencedor, a não ser que a corrida seja de tal modo equilibrada, que haja necessidade de se recorrer a recontagens ou a disputas legais pelo resultado em algum Estado (como sucedeu, em 2000, na Florida).
Neste dia de todas as decisões, estarei por aqui a acompanhar tudo o que de mais importante se passar do outro lado do Atlântico. Será uma longa noite e que apenas deverá terminar na manhã de Quarta-feira. Mas, como quem corre por gosto não cansa, é com prazer que seguirei atentamente a escolha do próximo Presidente dos Estados Unidos. Conto com a vossa visita!

Combate de Blogues: a discussão final

Ontem à noite, com casa cheia, realizou-se o último Combate de Blogues, versão hangout, onde se fez uma análise à campanha eleitoral que hoje termina e se previu o que pode acontecer logo à noite. Além de mim, participaram o Nuno Gouveia e o José Gomes André, do Era Uma Vez na América, o Carlos Manuel Castro e o Filipe Ferreira, do EUA2012, e ainda o Germano Almeida, do Casa Branca 2012, que se juntou a nós de forma inovadora e que ficará para a história do jornalismo online. A moderação, como sempre, ficou a cargo do Filipe Caetano.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Previsão final


Colégio Eleitoral: Obama 303 - Romney 235
 
Voto Popular: Obama 50% - Romney 49%
 
Senado: Democratas 53 - Republicanos 47
 
Câmara dos Representantes: Democratas ganham alguns lugares (entre 4 a 8), mas o GOP mantém a maioria
 
No Sábado, já antevi a vitória de Barack Obama na eleição presidencial que se decide amanhã. Contudo, na véspera do grande dia, deixo aqui a minha previsão para o mapa eleitoral das eleições de 2012. Como podem ver pela imagem de cima, prevejo a vitória de Obama por 303 votos eleitorais, cabendo a Mitt Romney os restantes 235. Para chegar a estes números, atribuí ao actual Presidente vitórias nos battleground states Ohio, New Hampshire, Virginia, Iowa, Colorado e Nevada, ficando Romney com a North Carolina e a Florida. Entre estes, as minhas principais dúvidas prenderam-se com o Colorado e com a Florida. Optei por atribuir cada um deles a um candidato: o Colorado para Obama, devido à forte comunidade hispânica que pode fazer a diferença a favor do democrata, e a Florida para Romney, porque é o republicano quem tem liderado na maior parte das sondagens sobre o sunshine state. Já o voto popular deve reflectir o equilíbrio da corrida, pelo que aponto um triunfo de Obama pela margem mínima.
Em relação às eleições do Congresso, mantenho a minha previsão anterior, onde tinha projectado que os democratas mantivessem o controlo da câmara alta, ficando com um número de senadores entre os 52 e os 54. Assim sendo, e para ser mais preciso, aponto que, após as eleições de amanhã, os democratas ficarão com 53 assentos, face aos 47 dos republicanos. Ou seja, se estiver correcto, o Senado ficará exactamente na mesma. Por sua vez, a constituição da Câmara dos Representantes também não deverá sofrer grandes alterações. É provável que o Partido Democrata ganhe alguns lugares, talvez uma mão cheia, actualmente detidos por republicanos. Todavia, isso não será suficiente para colocar em perigo a actual maioria do GOP na câmara baixa do Congresso.
Na Quarta-feira, quando forem conhecidos todos os resultados (se tudo correr bem), veremos como me saí nas minhas previsões. Mas, como não quero ser o único a arriscar, desafio também os leitores a deixarem as suas previsões na caixa de comentários, para que possamos comparar opiniões.
 

domingo, 4 de novembro de 2012

Obama lidera a nível nacional

Até há alguns dias, Barack Obama aparecia em desvantagem em grande parte das sondagens de âmbito nacional. Em algumas delas, como as da Rasmussen e da Gallup, chegou mesmo a estar a uma distância significativa de Mitt Romney. Contudo, agora, nas vésperas da eleição, o cenário inverteu-se a favor do actual Presidente dos Estados Unidos, como se pode ver pelos números das diversas sondagens que foram hoje divulgadas: 
 
NBC/Wall Street Journal - Obama 48% - Romney 47%
 
Reuters/Ipsos - Obama 48% - Romney 47%
 
Rasmussen - Obama 49% - Romney 49%
 
YouGov - Obama 49% - Romney 47%
 
Washington Post/ABC - Obama 49% - Romney 48%
 
Politico/George Washington University - Obama 48% - Romney 48%
 
Pew Research - Obama 50% - Romney 47%
 
Ou seja, entre todos os estudos, Romney não lidera em nenhum e o melhor que consegue é um empate em duas sondagens. Chamo atenção especial para os números da YouGov, por se tratar da sondagem final desta entidade e que reuniu a opinião de 36 mil (!) prováveis eleitores. Com estes resultados, a média nacional do Real Clear Politcs já é favorável, ainda que ligeiramente, a Obama.
Assim, o Presidente junta esta pequena vantagem nacional à liderança que tem mantido sistematicamente na maioria dos battleground states. Por tudo isto, percebe-se que as coisas estão muito complicadas para a candidatura de Mitt Romney, que parte para o último dia de campanha como o underdog da corrida e com as suas principais esperanças a focarem-se na possibilidade de as sondagens estarem totalmente erradas.

Há quatro anos foi assim

Faz hoje quatro anos que, a 4 de Novembro de 2008, Barack Obama fez história, sendo eleito Presidente dos Estados Unidos, derrotando o nomeado republicano, John McCain. E este ano, como será? Como previ ontem, penso que a história será a mesma e que Obama alcancará um segundo mandato. Contudo, o cenário não deverá ser tão majestoso como o do Grant Park, em Chicago (na foto). Desta vez, a festa (a a contecer) deverá ser mais modesta, reflexo do menor entusiasmo em torno do actual ocupante da Casa Branca.

sábado, 3 de novembro de 2012

4 more years

A três dias do dia das eleições nos Estados Unidos, é esta a minha previsão: Barack Obama será reeleito para um novo mandato como Presidente norte-americano. Conseguirá mais do que 270 votos eleitorais (mais tarde farei a minha previsão do mapa eleitoral) e, penso eu, alcançará ainda o maior número de votos a nível nacional, evitando, assim, que se repita, à imagem do que sucedeu em 2000, um cenário de divisão entre o voto do Colégio Eleitoral e do voto popular.
Até há poucos dias, e apesar de atribuir um ligeiro favoritismo a Obama, recusava-me a indicar um vencedor nesta disputadíssima corrida pela Casa Branca. Contudo, neste momento, o actual ocupante da Sala Oval possui, segundo as sondagens, uma liderança sólida em Estados decisivos e que serão suficientes para que vença o Colégio Eleitoral. No Nevada, no Wisconsin e no Ohio, Obama tem surgido constantemente à frente de Mitt Romney e a única esperança para o nomeado republicano é que as sondagens estejam totalmente erradas. É possível, mas, a tão poucos dias da eleição e com tantas entidades a sondar estes Estados, é algo bastante improvável. Além disso, Obama recuperou terreno na Virginia e na Florida. No primeiro caso, o democrata parece estar mesmo a levar a melhor, enquanto que no Sunshine State, o equilíbrio é a nota dominante. Se vencer num destes Estados, então a eleição será decidida bastante cedo na noite eleitoral.
A vantagem de Obama no Colégio Eleitoral não é um dado novo e já tenho escrito muito sobre isso. Todavia, desde o primeiro debate, em Denver, e em que Romney foi o incontestado vencedor, que as sondagens nacionais tinham tendência para indicar que o antigo Governador do Massachusetts poderia vir a ser o candidato a receber mais votos no dia 6 de Novembro. Acontece que, nos últimos dias, essa tendência tem vindo a inverter-se e, agora, a maioria das sondagens nacionais mostram um empate ou uma ligeira vantagem de Obama. Até a tracking poll da Rasmussen, que chegou a dar cinco pontos de vantagem a Romney, mostra agora a corrida empatada. Segunda-feira, a véspera da eleição, regressará a mais famosa das tracking polls, a da Gallup, que interrempeu os seus trabalhos devido ao furacão Sandy. Aguarda-se com expectativa os números que a Gallup anunciará, já que esta tracking poll tem sido a mais favorável aos republicanos, tendo, a determinada altura, atribuido a Mitt Romney uma vantagem de 7% sobre Obama.
Mas, independentemente do que a Gallup vier a anunciar, mantenho a minha previsão de uma vitória para Barack Obama. Os últimos dias foram extremamente positivos para o Presidente, que correspondeu â altura do cargo que exerce por ocasião da crise provocada pelo Sandy e viu a economia americana criar um grande número de empregossegundo o relatório da passada Sexta-feira, segundo o relatório divulgado na passada Sexta-feira.
Contudo, as previsões, como as sondagens, valem o que valem e a verdadeira decisão caberá aos cidadãos norte-americanos, no dia 6 de Novembro. Se a minha previsão falhar, então cá estarei para me penitenciar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Cartoons: Climate Change

Nota: A FEMA (Federal Emergency Management System) é a agência federal norte-americana responsável pela resposta a qualquer desastre que ocorra no solo dos Estados Unidos.

O Sandy soprou a favor de Obama

O furacão Sandy foi uma castástrofe natural que provocou dezenas de vítimas mortais, centenas de desalojados e milhões de dólares de prejuízo. Assim sendo, é um pouco constrangedor retirar conclusões políticas de uma tragédia deste género, mas a verdade é que essas leituras têm de ser feitas, especialmente quando estamos a poucos dias de uma eleição presidencial disputada ao milímetro.
Como já tinha escrito, Mitt Romney, sem nenhum cargo oficial para desempenhar, pouco ou nenhum trabalho teria a mostrar na gestão desta crise. Assim sendo, as atenções estavam concentradas no Presidente e Barack Obama esteve à altura dos acontecimentos, não cometendo os erros da Administração Bush aquando do Katrina (aliás, é bem provável que, desde aí, o overreacting seja a norma).
Obama, que deixou a campanha para lidar de perto com o acontecimento que ameaçou a Costa Leste dos Estados Unidos, geriu a situação com mestria, fazendo questão de se mostrar empenhado em abordar os problemas e em dirigir-se às zonas mais afectadas para consolar as vítimas do Sandy. O seu melhor momento foi a forma como coordenou os esforços com Chris Christie, o carismático Governador republicano de New jersey que veio mesmo a público elogiar o trabalho de Obama na resposta ao furacão. Apesar de ainda não se estarem a verificar nas sondagens eventuais efeitos desta gestão da crise por parte de Obama, é praticamente certo que o Sandy veio dar uma ajuda às hipóteses de reeleição para o actual Presidente.
Para Mitt Romney, esta é uma situação deveras ingrata, dado que o nomeado republicano ficou como que de mãos atadas numa altura crucial da campanha eleitoral. Ainda por cima, imagens como a que ilustra este post funcionam muito melhor do que dezenas de anúncios televisivos.

Edit: O Mayor de New York City, Michael Bloomberg, também anunciou hoje o seu apoio a Barack Obama, tendo afirmado que a forma como o Presidente lidou com o Sandy foi o factor decisivo na sua escolha.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A batalha pelo Congresso

Em ano de eleições presidenciais é normal que a corrida pela Casa Branca domine os destaques noticiosos e desvie muita da atenção das eleições para o Congresso. Este ano, com a disputa pela Presidência a ser mais renhida do que nunca, o relativo esquecimento das corridas para o Congresso e para cargos  estaduais é ainda mais notória. Assim, aproveitando esta espécie de pausa na campanha presidencial causada pelo Sandy, vale a pena fazer uma breve análise ao estado da corrida pelo Senado e pela Câmara dos Representantes.
Em relação à câmara baixa, já se sabia que, depois dos enormes ganhos do GOP nas eleições intercalares de 2010, em que os republicanos arrebataram a maioria na Câmara dos Representantes, seria muito difícil para os democratas, em apenas dois anos, estarem em posição de conseguir inverter a situação e voltarem a dominar a House. Para os democratas, a situação ficou ainda mais complicada, após o processo de redistricting que foi dominado, na maioria dos Estados, por legislaturas republicanas (consequência, também, das vitórias do GOP, em 2010) que souberam "trabalhar" o mapa dos congressional districts de forma a maximizar as suas hipóteses em eleições para a Câmara dos Representantes. Não obstante, é expectável que os democratas "roubem" alguns lugares ao Partido Republicano, ainda que esses ganhos não venham a ser suficientes para que Nancy Pelosi volte a ocupar o lugar de Speaker.
No Senado, a situação é muito semelhante. Actualmente, o Partido Democrata conta com uma maioria de 53 senadores, face aos 47 do lado republicano. Até há alguns meses atrás, a perda da maioria por parte dos democratas era um dado praticamente adquirido. Contudo, alguns erros de casting por parte dos eleitores republicanos nas primárias (à semelhança do que sucedeu em 2010) e gaffes monumentais por parte dos próprios candidatos do GOP (Todd Akin, no Missouri, e Richard Mourdock foram os casos mais gritantes, com os seus "estranhos" comentários acerca da questão do aborto em situações de violação). Assim, tudo indica que os democratas serão capazes de manter o controlo da câmara alta, não sendo totalmente impossível que consigam mesmo aumentar a sua maioria. Na minha opinião, o figurino do Senado não deverá sofrer grandes modificações e os democratas deverão ficar, após as eleições, com  uma representação entre os 52 e os 54 senadores.
Em conclusão, percebe-se que as eleições legislativas deste ano não devem trazer grandes novidades no que diz respeito à composição do Congresso norte-americano. Também por isso se entende que, neste ciclo eleitoral, as centenas de corridas por cargos na Câmara dos Representantes e no Senado não estejam a suscitar um grande interesse por parte dos media, que se interessam mais por verdadeiras horse races. Nesse aspecto, a corrida pela Casa Branca deste ano, totalmente em aberto, é imbatível.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O Sandy também atinge a campanha eleitoral

Até ver, ainda não houve nenhuma surpresa de Outubro e a campanha eleitoral tem decorrido dentro da normalidade, sempre que nada de muito inesperado altere totalmente a mensagem de qualquer uma das candidaturas à Casa Branca. Contudo, a poucos dias da noite de todas as decisões, o furacão Sandy veio colocar em sobressalto a Costa Leste dos Estados Unidos, com milhões de cidadãos norte-americanos a temerem as consequências de um desastre natural destruidor.
Com populações deslocadas ou abrigadas nas suas casas ou em abrigos comunitários, não existem, naturalmente, condições para a realização de eventos de campanha nas zonas mais afectadas e, com os candidatos a quererem evitar a imagem de festas partidárias ao mesmo tempo que cidadãos americanos estão a passar por dificuldades, serão muito poucas as acções de campanha em outras zonas, como na Florida ou no Midwest.
Assim, podemos esperar, nos próximos dois ou três dias, uma espécie de suspensão da campanha. Para Barack Obama é tempo de regressar à Casa Branca e daí seguir os acontecimentos e tomar as medidas necessárias para responder a eventuais problemas. Já Mitt Romney terá mais dificuldades em "aparecer" durante este período, já que não possui qualquer cargo de governação e se for demasiado interventivo corre o risco de ser acusado de estar a tentar retirar dividendos políticos de uma crise. 
Não se pense, porém, que o Sandy foi uma dádiva para a campanha democrata. É certo que se a Administração Obama não cometer erros na gestão da crise e se o Sandy não provocar danos catastróficos, então o Presidente pode sair bem na fotografia, reforçando o seu papel de Commander-in-Chief. Contudo, caso o furacão provoque estragos de monta e surjam muitas críticas à resposta federal, o mais certo é que o Sandy se torne no último grande evento com que Obama terá de lidar enquanto Presidente dos Estados Unidos. Por isso, até pode muito bem acontecer que o Sandy seja a surpresa de Outubro da corrida de 2012.

sábado, 27 de outubro de 2012

Irá o candidato mais votado perder as eleições?

A dez dias do dia de todas as decisões, a eleição presidencial norte-americana está longe de estar decidida. Nesta altura, reina a incerteza relativamente ao vencedor da disputa pela Casa Branca e nem as dezenas de novas sondagens que saem todos os dias clarificam o estado da corrida. Aliás, as sondagens têm servido para confundir ainda mais quem, como eu, segue atentamente a campanha presidencial dos Estados Unidos.
De um lado, temos a maioria das sondagens nacionais, incluindo as tracking polls mais credenciadas, como as da Gallup ou da Rasmussen, que têm mostrado Mitt Romney com uma vantagem importante, entre os três e os sete pontos percentuais, sobre Barack Obama. Por outro lado, as sondagens nos battleground states indicam que o Presidente continua em melhor posição para vencer em Estados como o Ohio (o mais importante de todos), o Nevada e o Wisconsin, que, juntos, chegariam para Obama garantir a reeleição. Além disso, noutros Estados (Virginia, Colorado, New Hampshire e Florida), Obama continua altamente competitivo e com hipóteses de vitória.
Como explicar esta diferença tão gritante entre as sondagens nacionais e as sondagens estaduais? Bem, na minha opinião, pelo menos parte da explicação reside numa extraordinariamente eficaz campanha democrata nos Estados decisivos, que tem permitido a Obama aguentar-se nesses locais de uma forma que não tem conseguido fazer no resto do país. Se analisarmos todas as sondagens estaduais, e não apenas as que dizem respeito aos battleground states, vemos que o apoio de Obama diminuiu nos Estados marginais em eleições americanas. Dito de outra forma, o candidato democrata deverá perder por mais nos Estados normalmente republicanos e deverá ganhar por menos nos Estados tradicionalmente democratas.
Assim, e com base nestes resultados contraditórios, é totalmente possível que Mitt Romney, mesmo conseguindo um maior número de votos a níve nacional, não seja capaz de derrotar Obama no Colégio Eleitoral. Não seria um cenário inédito na história dos Estados Unidos, pois tal situação já ocorreu por três vezes, a última das quais, em 2000, quando Al Gore, o candidato mais votado, perdeu no Colégio Eleitoral para George W. Bush.
Não seria, a meu ver, a forma ideal de terminar uma campanha eleitoral interessante e bastante renhida, ao mesmo tempo que colocaria, uma vez mais, o sistema eleitoral norte-americano debaixo de fogo, deixando-o vulnerável a alterações que, para um apaixonado das eleições norte-americanas como eu, retirariam emoção e interesse ao processo de escolha do líder político dos Estados Unidos.